quarta-feira, 5 de setembro de 2012

As mãos perguntam, a cabeça pensa

Rubem Alves

Encaro com a maior desconfiança os laboratórios nas escolas. Acho que sua função, nas escolas, não é ensinar ciência aos estudantes, mas impressionar os pais. Os pais se impressionam facilmente. Vendo os laboratórios, eles concluem: "ma escola com um laboratório moderno assim deve ser uma boa escola..." Poucos se dão conta de que os laboratórios mentem aos adolescentes. Pois o que eles dizem, silenciosamente, é o seguinte: " aqui dentro que se faz ciência" Isso é mentira. Ciência não é uma coisa que se faz em laboratórios. Ciência se faz em qualquer lugar. Ela só precisa de duas coisas: olho e cabeça. Assim, a primeira tarefa da educação científica é ensinar a ver e ensinar a pensar.
Sei de pessoas que são capazes de produzir pesquisas nos laboratórios, mas que, andando em meio aos objetos e situações do seu cotidiano, vêem e pensam como se nada soubessem da ciência. De fato, não sabem, porque a sua ciência só acontece em laboratórios.
Vocês se lembram do que escrevi sobre os moluscos, que, para sobreviver, constroem conchas eficazes e belas? E se lembram também que Piaget, começando a partir do seu fascínio pelos moluscos, concluiu que os seres humanos se comportam da mesma forma? Parece haver uma estratégia universal de sobrevivência, que une todos os seres vivos. Também nós, para sobreviver, construímos conchas eficazes e belas, conchas que são feitas com instrumentos e pensamentos. Pensamos para transformar o ambiente que nos cerca em conchas.
Nossas conchas se chamam casas. Casas não são apenas os pequenos espaços, construídos com tijolo e cimento, onde moramos. Casas são os espaços habitáveis que nos cercam e onde a nossa vida acontece. Piaget sugere que o impulso para conhecer é o impulso para incorporar o espaço que nos rodeia. "n-corporação"quer dizer: colocar dentro do corpo. Ou seja, comer.
Queremos transformar a natureza em corpo. Quando isso acontece, o corpo fica grande, expande-se até os confins do universo... A natureza deixa de ser estranha, exterior. Passa a ser "asa" espaço habitável. Ou, se quiserem, a natureza humanizada, ou transformada em horta, boa para comer, ou em jardim, boa de gozar... Pois o gozo pertence à vida humana e acho que também à vida dos animais...
Pensei, então, numa escola que fosse uma casa, uma casa comum, dessas onde os alunos moram, parecida com o espaço de sua vida real. Essa idéia me veio quando uma amiga, professora universitária, me contou um incidente divertido e revelador:
Repentinamente, metade de sua casa ficou às escuras. Lembrou-se de que, quando algo semelhante acontecia na casa de sua infância, seu pai trocava os fusíveis. Concluiu: algum fusível deve ter se queimado.
Disse, então, ao filho de nove anos: "filho, veja se um fusível queimou".
Respondeu o menino: "não se usam mais fusíveis. Agora se usam disjuntores".
Mas ela não sabia o que eram disjuntores nem como estava estruturada a rede elétrica de sua casa, e assim continuou a conversa entre os dois, ela, professora universitária, que, para passar no vestibular, tivera de estudar física elétrica com suas voltagens, "attagens" impedâncias, ohms, tensões, fórmulas e outras coisas parecidas, totalmente ignorante diante de um simples problema prático em sua casa; e o menino, que nunca estudara física, mas que conhecia os segredos da casa onde morava.
Embora isso esteja esquecido, o caminho para a inteligência passa pelas mãos. Pensamos para ajudar as mãos. Das mãos nascem as perguntas. Da cabeça nascem as respostas. Se a mão não pergunta, a cabeça não pensa. Pois laboratório vem de "aborare" trabalhar com as mãos, que é essa cooperação entre mãos e inteligência. Física mecânica, física elétrica, física hidráulica, física ótica, física dos materiais, matemática, química, biologia, saúde, geografia, história, literatura, poesia, ecologia, política, sociologia, arte - todas moram na nossa casa, ferramentas e brinquedos, ao alcance das nossas mãos, desafios ao pensamento: conhecer para "aborare" na construção da casa de morada...
Li uma entrevista do Amyr Klink em que, indagado sobre a educação dos filhos, disse que gostaria que seus filhos aprendessem como aprendem as crianças numa ilha, se não me engano, na costa da Noruega: aprendem as coisas que devem ser aprendidas, para não ser nunca esquecidas, construindo uma casa viking. Assim, estamos de acordo...

Desenvolvimento da linguagem - Fique atento!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dente, menstruação e até gordurinhas podem ser doados à ciência

Você conhece os bancos de dentes?

Lá, os dentes do seu filho que valeram uma moedinha da fada do dente ajudam pesquisadores em novos estudos. Confira como fazer para doar

Ana Paula Pontes

Shutterstock
O que você faz com os dentinhos que seu filho coloca embaixo do travesseiro para a fada dos dentes levar? Entre correntinhas ou guardar numa caixinha, você pode doá-los para os bancos de dente.

Vinculados a Universidades (ainda existem poucos no Brasil), eles têm como objetivo armazenar dentes, tanto os de leite quanto os permanentes, para que profissionais e estudantes de odontologia possam realizar pesquisas, entre elas investigar o melhor produto para limpar cavidades de dentes ou fazer uma restauração, por exemplo.

E não são só aqueles dentes branquinhos e impecáveis do seu filho que servem como doação. “Os bancos aceitam dentes quebrados, com cárie, escurecidos. Até aqueles que estão guardados há anos podem ser doados. Há estudos para todos os tipos de dentes, da maneira como estiverem”, afirma José Carlos Pettorossi Imparato, dentista e professor de odontologia das Universidades de São Paulo (USP) e São Leopoldo Mandic, em Campinas.

Você pode doar um ou mais dentes. “O ideal é que, assim que forem tirados, não demorem a serem doados. Basta lavar o dente em água corrente, secar e colocar num saquinho plástico ou gaze seca. Há alguns bancos que pedem para deixar o dente em água, mas, se ela não for trocada e houver demora na entrega, há risco do surgimento de bactérias”, diz.

No Banco, um cadastro do doador é realizado. Depois, os dentes são limpos, selecionados e separados por grupos (incisivos, caninos, molares, pré-molares, com cárie) para então serem colocados sob refrigeração em recipientes com água.

Confira abaixo alguns locais para onde a fada do dente pode levar os dentinhos do seu filho:

Universidade de São Paulo (SP) - Faculdade de Odontologia
Av. Professor Lineu Prestes, 2.227 - Cidade Universitária - São Paulo - SP - CEP 05508-000
É preciso enviar uma carta de doação. Mais informações: (11) 3091-7835 ou acesse http://www.fo.usp.br/


Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) Av. Carlos Cavalcanti, 4.728 - Bloco M - Sala 11 - Campus de Uvaranas - Ponta Grossa - PR - CEP 84030-900
É preciso levar um termo de doação que está no site http://www.uepg.br/uepg_departamentos/deodon/dentes/index.htm. Mais informações: (42) 3220-3104 ou por e-mail: bancodedentes@uepg.br


Universidade Federal de Santa Maria (RS)
R. Floriano Peixoto, 1.184 - sl. 114 - Santa Maria - RS - CEP 97015-372 - A/C Banco de Dentes
Mais informações: (55) 3220-9268 ou acesse http://www.ufsm.br/


Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic (SP) Rua Dr. José Rocha Junqueira, 13 - Ponte Preta - Campinas - SP - CEP 13045-755 - A/C Banco de Dentes Humanos
É preciso enviar uma carta de doação, com nome, RG e quantidade de dentes enviados no envelope. Mais informações pelo site http://www.slmandic.com.br/


Universidade Camilo Castelo Branco (SP)
Rua Carolina Fonseca, 548 - Itaquera - São Paulo - SP - CEP 08230-030 - A/C Banco de Dentes
É preciso enviar uma carta de doação e os dentes em um pote com soro fisiológico. Mais informações: (11) 2070-0196 ou acesse http://www.unicastelo.br/

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI120491-15151,00.html

Dente, menstruação e até gordurinhas podem ser doados à ciência

GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

Dentes de leite, restos de placenta, sangue menstrual e até gordura da barriga podem ser entregues à ciência para ajudar na busca de tratamentos para problemas tão variados quanto autismo e doenças degenerativas.
Os "resíduos" podem ser encaminhados para centros de pesquisa, onde são usados principalmente em estudos com células-tronco.
Essa modalidade de doação, no entanto, é quase desconhecida no Brasil. Os cientistas precisam se desdobrar para que as pesquisas não parem por falta de material.
O esforço inclui não ter vergonha de pedir para participar do parto de desconhecidos. "Uma vez, fui trocar um presente e reparei que a vendedora estava grávida. Pensei logo na minha pesquisa e falei sobre a doação", conta Patrícia Beltrão Braga, pesquisadora da USP.
"A placenta e o cordão umbilical são normalmente descartados como lixo hospitalar depois do parto", diz a cientista. "Pedimos para usar isso que já vai ser jogado fora mesmo."
Além do trabalho com placentas, o Laboratório de Células-Tronco da Faculdade de Veterinária da USP, que ela comanda, também faz pesquisas com dentes de leite. As células-tronco da polpa do dente podem ser transformadas em neurônios: um modelo perfeito para estudar doenças como o autismo.
GORDURINHAS
Outra interessada em material descartado é a geneticista Natássia Vieira, pesquisadora de Harvard e da USP que vasculha o tecido adiposo em busca da cura para doenças degenerativas, como a distrofia muscular.
Em meio à gordurinha do abdome e do culote, escondem-se células-tronco com poderosa ação regeneradora.
"Quando explicamos a pesquisa, a maioria das pessoas doa. Infelizmente, ainda tem gente que parece ter apego à célula e que acha que vamos usar o material recolhido para fazer um clone", brinca a pesquisadora.
No Centro de Estudos do Genoma Humano, onde é feito esse trabalho, há muito mais células que interessam aos cientistas.
Em busca de células-tronco mesenquimais, a dupla Marcos Valadares e Mayra Vitor Pelatti tem o difícil trabalho de convencer mulheres a doar seu sangue menstrual.
Os pesquisadores garantem que o processo é simples. "É só usar um coletor menstrual, que é um copinho, por duas ou três horas e depois colocar o sangue em um pote com antibiótico que nós fornecemos. Não é tão diferente de usar um absorvente interno", diz Pelatti.
COMO DOAR
Em geral, os laboratórios têm os contatos e as informações básicas em seus sites (veja quadro ao lado). Muitas vezes, é enviado ao doador um kit com material. É preciso assinar um documento autorizando a doação.
Com cordão umbilical e placenta, os pesquisadores precisam ser informados da previsão do parto para ficar de plantão, uma vez que a coleta precisa ser feita até uma hora após o nascimento.
Os cientistas costumam ter parcerias com hospitais. Mas eles reafirmam a importância do doador individual.
"A pesquisa só acontece porque as pessoas doam, isso é um ato de amor e solidariedade", define Braga.

Arte/Folhapress

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Educação começa em casa

Esse tema é muito complexo, pois alguns pais acham que a escola e os professores tem a obrigação de educar seus filhos. Achei muito boa a iniciativa do Grupo Abril, em especial do site Educar para crescer em publicar essa cartilha em parceria com Mauricio de Sousa.

 

Turma da Mônica chega ao Educar para Crescer

 Cartilha está disponível para download gratuito no site 
Por Beatriz Montesanti
Clique na imagem para visualizar a cartilha completa
O Educar preparou uma novidade para toda a família: uma cartilha da Turma da Mônica!  A cartilha pretende incentivar a participação dos pais na Educação com dicas importantes a serem seguidas, passadas de uma forma muito divertida!
A ideia da cartilha surgiu na imersão anual realizada pela equipe do Educar em residências de alunos de escolas públicas, com objetivo de acompanhar o dia a dia das crianças, conhecer a família e seu modo de vida. Na experiência realizada em 2010, constatou-se que, muitas vezes, o único material de leitura encontrado nas casas são gibis da Turma da Mônica. Por que não, então, unir o gostinho pela turminha aos ideais educacionais? Os Estúdios Maurício de Sousa apostaram na iniciativa e daí surgiu esta parceria.
A cartilha deverá circular a partir do segundo semestre em revistas do grupo Abril, mas já está disponível para download gratuito em nosso site! Assim, com diversão e informação garantidas, não há motivo para não ler, né? Clique aqui para visualizá-la e aqui, se preferir fazer o download.

Aproveitem essa dica!
Bjs
Vanessa

sábado, 23 de junho de 2012

Festa Junina - Comidas típicas - Culinária Ilustrada

Em época de Festa Junina, que tal fazer esse delicioso Bolo de Milho?
É uma receita antiga que ilustrei e fiz com meus alunos do maternal.

Eixos: Linguagem Oral e Escrita / Matemática

CULINÁRIA ILUSTRADA
Material: Leite, óleo, fermento, açúcar, 3 ovos, flocos de milho, 1 lata de milho em conserva,  colorset amarelo, papel seda verde, crepom amarelo e lã marrom.

Estratégia: Em roda, falar de algumas comidas típicas juninas, como: canjica, pé-de-moleque, milho,  pipoca, amendoim torrado e batata-doce. Convidar os alunos a prepararem um delicioso “Bolo de milho”. Escrever a receita em cartolina branca e apresentá-la aos alunos.
No meu caso, eu ilustrei a receita e ficou muito interessante, pois despertou ainda mais o interesse das crianças.

BOLO DE MILHOIngredientes
             1 xícara (chá) leite
             1 xícara (chá) óleo (não muito cheia)
             3 ovos
             ½ xícara (chá) açúcar
             1 xícara de flocos de milho
             1 lata de milho (com água e tudo)
Preparo
             Bater bem no liquidificador e acrescentar uma colher bem cheia de fermento.
             Levar ao forno em forma untada.
Registro: Montar a espiga de milho com colorset amarelho e papel seda verde. Rasgar e amassar papel crepom amarelo para colar na espiga e finalizar com lã marrom.

Aproveitem a dica!

Beijos
Vanessa




quarta-feira, 20 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Presente do dia das mães

Olá meninas,

Fiz um quadrinho de Scrapbook em um retiro que participei e achei muito legal fazer como presente do dia das mães... um presente simples, fino, moderno e barato.

Desenhei algumas opções virtuais, depois vou postar a foto do meu quadrinho.






Beijos,

Vanessa